A Bandalheira Folclórica Ouropretana (BAFO) foi fundada em 10 de janeiro de 1972, em Ouro Preto, pelo então estudante de Farmácia Virgílio Augusto Alves. Seu surgimento ocorreu de forma espontânea e irreverente, profundamente conectado ao espírito crítico e popular do carnaval de rua de Ouro Preto.
Em seu primeiro desfile, a Bandalheira contava com aproximadamente 18 componentes, todos fantasiados, marcando o início de uma trajetória que atravessaria gerações e se consolidaria como uma das mais tradicionais manifestações carnavalescas da cidade.



O uniforme da Bandalheira, criado pelo próprio fundador no segundo dia de Carnaval daquele mesmo ano, tornou-se um de seus maiores símbolos. Até hoje, os integrantes desfilam com calça preta, camisa social branca, gravata preta, cinto preto por cima da camisa, além do característico penico esmaltado na cabeça, um rolo de papel higiênico preso à cintura e botas ou calçados pretos, marchando pelas ruas em um ritmo militar acelerado.
Essa estética singular representa uma homenagem satírica tanto à banda civil quanto à banda militar, utilizando o humor, a crítica social e a irreverência como linguagem. O penico, o uniforme e o ritmo do desfile simbolizam essa leitura bem-humorada e provocativa das estruturas tradicionais.
Ao longo das décadas, a Bandalheira consolidou-se como uma das principais atrações do Carnaval de Ouro Preto, encantando moradores e visitantes. A BAFO utiliza a música marcial de forma lúdica e crítica, brincando com o rigor militar e reafirmando seu papel como expressão cultural, popular e coletiva da cidade.
Mais do que uma entidade carnavalesca, a Bandalheira tornou-se parte da memória afetiva, histórica e cultural de Ouro Preto, preservando sua identidade original e sua essência crítica ao longo do tempo.
Preservar a Bandalheira é preservar a essência do Carnaval de Rua: aquele que nasce da convivência, do respeito mútuo, da criatividade popular e do compromisso ético com a cultura. A Bandalheira é herança viva, construída com confiança, generosidade e pertencimento — valores que sempre nortearam sua existência e que seguem fundamentais para garantir sua continuidade e integridade.











