Bandalheira de Ouro Preto

Virgílio Augusto Alves é o fundador da Bandalheira Folclórica Ouropretana. Sua iniciativa deu origem a um dos blocos mais emblemáticos do Carnaval de Ouro Preto, construído com criatividade, irreverência e profundo respeito pela cultura popular.


A trajetória da Bandalheira reflete a visão de seu fundador: um Carnaval livre, crítico, inclusivo e conectado às raízes da cidade. Ao longo de décadas, essa visão foi compartilhada com familiares, amigos e colaboradores, consolidando um legado que ultrapassa gerações.



Com a palavra, o fundador

Fundar a Bandalheira nunca foi apenas criar um bloco de carnaval.
Foi, desde o início, um gesto de afeto por Ouro Preto, de respeito à cultura popular e de compromisso com a irreverência saudável, crítica e livre que sempre marcou a nossa história.

A Bandalheira nasceu do convívio, da amizade, da família e do amor por esta cidade. Cresceu nas ruas, nos encontros, nas casas que sempre estiveram abertas — não por interesse, mas por confiança, por laço humano e por pertencimento.

Falo aqui não apenas como fundador da Bandalheira, mas também como o irmão mais velho de uma família que sempre se manteve unida, mesmo quando a vida nos levou por caminhos diferentes.

Formei-me em Ouro Preto. Foi aqui que construí minhas bases. Logo depois, segui novos rumos profissionais, trilhei meu caminho como Farmacêutico-Bioquímico, trabalhei, enfrentei desafios, desbravei novos mercados, construí minha independência e formei minha família. Mas jamais me afastei das minhas origens. Nunca me desliguei dos meus irmãos, da nossa história, de Ouro Preto e, muito menos, da Bandalheira.

Sempre estive presente — ainda que nem sempre fisicamente — em espírito, em apoio, em respeito e em cuidado. Porque quem ama de verdade não precisa estar todos os dias no mesmo lugar para preservar aquilo que ajudou a construir.

Por isso, recebo com profunda indignação atitudes que distorcem o propósito da Bandalheira e ferem valores básicos como gratidão, ética e respeito. O que sempre foi compartilhado com boa-fé, de forma fraterna e generosa, jamais pode ser tratado como objeto de apropriação ou oportunismo.


A Bandalheira não pertence a interesses individuais.
Ela pertence à sua história, à sua cultura e ao povo de Ouro Preto.

Confundir tradição com vantagem pessoal é um erro grave. Transformar gestos de confiança em disputas rompe laços, fere memórias e ameaça aquilo que deveria ser preservado.

Esta manifestação não nasce do ressentimento, mas da responsabilidade. Da obrigação moral de proteger um legado construído com verdade, simplicidade e amor. Falo aqui em nome da história, da família e dos valores que sempre nortearam a Bandalheira desde o seu primeiro passo pelas ruas de Ouro Preto.

Que este momento sirva para reflexão.
Que a verdade prevaleça.
Que a ética volte a conduzir os caminhos.

A Bandalheira é maior do que qualquer gestão passageira.
Ela tem passado, tem identidade e merece um futuro honrado.