A história contada e a história vivida
O vídeo acima registra um depoimento público de Alcindo Alves, relatando a origem da Bandalheira, sua formação familiar, os valores que deram sentido ao bloco e a relação construída ao longo de décadas com a cidade de Ouro Preto.
Trata-se de um registro histórico importante, que reafirma princípios como confiança, convivência, pertencimento e respeito às origens — valores que sempre foram associados à trajetória da Bandalheira Folclórica Ouropretana.
Ao mesmo tempo, é de conhecimento público que Alcindo Alves e seu filho, Pedro Ivo Alves, figuram como autores de uma ação judicial de usucapião envolvendo o imóvel historicamente vinculado à família fundadora e utilizado pela Bandalheira por cessão de uso.
Diante disso, surge uma reflexão legítima e necessária:
Como conciliar o discurso público de memória, confiança e origem familiar com uma ação judicial que busca a posse definitiva de um bem cuja utilização sempre foi pautada pela boa-fé e pela relação familiar?
Este espaço não se propõe a julgar pessoas, intenções ou processos judiciais — tarefa que cabe exclusivamente ao Poder Judiciário.
Mas entende ser seu dever registrar a incoerência percebida por muitos entre o conteúdo histórico narrado e os caminhos atualmente adotados.
Preservar a Bandalheira é preservar sua história completa, com todas as vozes, fatos e contextos.
A memória não pode ser seletiva, nem desconectada das consequências dos atos presentes.
A transparência, o diálogo e o respeito às origens continuam sendo os pilares que acreditamos capazes de garantir um futuro honrado à Bandalheira — fiel àquilo que sempre representou para Ouro Preto.